Dificuldade de mastigação pode ser sinal de disfunções da ATM

Dores na face, na cabeça, na orelha e nos músculos mastigatórios: você tem sentido alguns desses sintomas com maior frequência? Fique atento, pois a queixa pode significar que você esteja sofrendo com as Disfunções da Articulação Temporomandibular (DTM), um conjunto de distúrbios que envolvem não apenas o mecanismo de mastigação, mas também a articulação temporomandibular (ATM) e suas estruturas associadas.

 Além dos sintomas relatados, ainda há outras manifestações otológicas comuns a pacientes que são diagnosticados com as DTMs, como zumbido, plenitude auricular e vertigem. Porém, é importante ressaltar que qualquer suspeita exige uma busca por um especialista, já que o problema quase sempre não é simples de ser diagnosticado.

“A tentativa de isolar uma causa nítida e universal da DTM não tem sido bem-sucedida. Estudos recentes feitos pela Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial (SBDOF) concluem que a DTM tem origem multifatorial. Deve-se fazer uma anamnese completa para a identificação de fatores predisponentes, fatores iniciadores (que causam a instalação da DTM) e fatores perpetuantes (que interferem no controle da patologia)”, analisa o cirurgião-dentista Marcelo Mazzetto.

Tire suas dúvidas sobre as disfunções da ATM na entrevista completa com o especialista.

 O que causa essas disfunções?

Os mais relevantes são:

1. Trauma – macrotrauma (ex.: pancada na face ou no queixo, extrações de 3os. molares, tratamentos endodônticos demorados e outros normalmente relatados pelos pacientes) e microtrauma (ex.: hábitos parafuncionais, mastigação unilateral, perdas dentais, discrepâncias na relação da mandíbula com a maxila e outros que passam despercebidos pelos pacientes).

2. Fatores Psicossociais – estresse, ansiedade, depressão e outros.

3. Fatores Fisiopatológicos: a) Sistêmicos (doenças degenerativas, infecciosas, metabólicas, neoplásicas, neurológicas, vasculares e reumatológicas); b) Locais (alteração na viscosidade do líquido sinovial, aumento da pressão intra-articular e outros); c) Genéticos.

Por que o seu diagnóstico é considerado tão difícil?

Ainda não há método confiável de diagnóstico e mensuração da presença e severidade das disfunções temporomandibulares que possa ser usado de maneira irrestrita por pesquisadores e clínicos. Para o diagnóstico de casos individuais, a anamnese continua sendo o passo mais importante na formulação da impressão diagnóstica inicial. O exame físico, constituído por palpação muscular e da ATM, mensuração da movimentação mandibular ativa e análise de ruídos articulares, quando executado por profissionais treinados e calibrados, é instrumento de grande validade no diagnóstico e na formulação de propostas de terapia, assim como de acompanhamento da eficácia dos tratamentos propostos. O uso de modalidades de diagnóstico, como as imagens da ATM (transcranianas, tomografias e ressonâncias magnéticas), é imprescindível, e exames auxiliares de avaliação, como a eletromiografia (atividade muscular), eletrovibratografia (ruído articular), eletrognatografia (movimentação mandibular), polissonografia e outros, são importantes somente em alguns casos individuais e em trabalhos de pesquisa. Nem sempre existe, no entanto, uma associação direta entre os resultados de tais testes e a presença de sinais e sintomas de DTM. No questionário de avaliação inicial da clínica odontológica, é importante a inclusão de algumas perguntas ligadas aos sinais e sintomas de DTM. A resposta positiva a uma dessas questões pode sinalizar a necessidade de avaliação completa por profissional especializado em DTM e Dor Orofacial.

 Seus sintomas podem ser confundidos com outros?

Os seus sintomas podem ser confundidos com problemas neurológicos (enxaquecas, cefaleias, neuralgia trigeminal e outros), otológicos (zumbido, plenitude auricular, vertigem e outros) e reumatológicos (artrite e fibromialgia e outros).

 Além das dores, o que mais esses disfunções podem acarretar ao paciente?

Limitação e/ou incoordenação de movimentos mandibulares, alterações nos ciclos mastigatórios, ruídos articulares, travamentos e subluxações mandibulares.

Como a ATM influencia na mastigação?

Dificuldade para mastigar é um dos sinais e sintomas mais comuns de uma disfunção da ATM e frequentemente leva não só a uma perda da qualidade de vida, como também a uma menor absorção de nutrientes. Além disso, há evidências científicas de que, à medida que a mastigação vai ficando mais prejudicada devido à má oclusão, mordida cruzada, sensibilidade dental, obturação desgastada, falta de contato e/ou perda de elementos dentais e outros, a tolerância à dor diminui e a sintomatologia, em si, aumenta. Mas por que ocorre a dificuldade de mastigar? Pessoas que possuem uma disfunção da ATM, em que o disco articular se encontra patologicamente alterado, ou mesmo possuam algum tipo de alteração do côndilo, como uma osteoartrite ou uma osteoartrose, terão muita dificuldade de movimentar a mandíbula. Isso ocorre porque, nessas situações, as estruturas que compõem a ATM perdem a lisura e deixam de deslizar facilmente umas contra as outras. O padrão ideal de mastigação, segundo a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, é o bilateral. A mastigação bilateral pode ser simultânea ou alternada, com movimentos verticais e de rotação de mandíbula. A mastigação correta beneficia o tônus muscular da boca e da língua, a saúde dos dentes e o bom funcionamento do sistema digestivo. Além disso, previne as alterações nas arcadas dentárias e as disfunções da Articulação Temporomandibular (ATM).

 Assim que é feito o diagnóstico, quais são as abordagens de tratamento?

Os sinais e sintomas podem ser controlados em mais de 90% dos pacientes que recebem apenas tratamentos conservadores, como exemplo: educação do paciente, intervenção comportamental, utilização de fármacos, placas interoclusais, terapias físicas, treinamento postural e exercícios miofuncionais compõem a lista de opções aplicáveis a quase todos os casos de DTM. Com relação às cirurgias de ATM, é possível afirmar que são necessárias em alguns poucos casos específicos, tais como anquilose, fraturas e determinados distúrbios congênitos ou de desenvolvimento. Excepcionalmente, são aplicáveis para complementar o tratamento em transtornos internos da ATM.

 O problema pode ser totalmente curado ou é apenas controlado?

Terapias inadequadas podem gerar iatrogenias, permitir a cronificação da dor, além de induzir o paciente a acreditar, equivocadamente, que sua patologia deveria ser tratada por profissional de outra especialidade. O objetivo do tratamento da DTM é controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema. A etiologia indefinida, o caráter autolimitante e a altíssima eficácia recomendam a utilização inicial de terapias não invasivas e reversíveis para os pacientes que sofrem de DTM. Os avanços científicos nessa área de conhecimento exigem dos profissionais constantes atualizações e atualmente temos a Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial, com indicação de profissionais altamente qualificados (http://sbdof.com).

 

 Dr. Marcelo Oliveira Mazzetto é cirurgião-dentista, concluiu a Graduação emOdontologia, Mestrado e Doutorado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP/Araraquara. Professor Associado em Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial pela FORP-USP (1998) e Professor Titular do Departamento de Odontologia Restauradora da USP (1999). Professor da Área de Oclusão e Coordenador do Curso de Especialização em DTM – FUNORP/FORP-USP. Possui projetos de Pesquisa com Laser de Baixa Intensidade e Etiologia e Diagnóstico da DTM pela FAPESP. Revisor científico das revistas: Brazilian Oral Research, Brazilian Dental Journal, Surgical and Radiologic Anatomy e outras. Exerce diversas atividades administrativas, sendo atualmente Vice-Chefe do Departamento de Odontologia Restauradora e Vice-Coordenador e Orientador no Curso de Pós-graduação em Odontologia Restauradora da FORP-USP, em nível de Mestrado e Doutorado. Atualmente orienta 4 teses de doutorado e 1 dissertação de mestrado. Publicou 90 artigos em periódicos especializados.

 

Matéria retirada do site http://idmed.terra.com.br



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