Enxaguantes bucais: quais são os cuidados no uso?

 

Os enxaguantes bucais  são produtos que sempre aparecem em propagandas de televisão, nas quais são mostrados todos os seus benefícios para a higiene bucal. No entanto, quase nunca esses programas comerciais alertam sobre as recomendações de uso do produto, que pode causar alguns prejuízos ao seu dente quando usados de forma inadequada. Há quem ache, por exemplo, que eles podem substituir a escovação e o uso do fio dental.

“Os enxaguantes bucais nunca devem substituir a escovação mecânica das superfícies dentárias, mas sim devem ser associados ao ritual de higiene bucal para uma completa limpeza da boca. São excelentes complementos à higiene bucal, pois podem associar diversos componentes diferentes, cada um com sua indicação precisa”, recomenda o cirurgião-dentista Alexandre Fraige.

Segundo o especialista, alguns produtos usam doses extras de flúor e/ou contêm agentes branqueadores dos dentes em sua composição, assim como alguns contêm álcool e outros não. Por isso, é necessário conversar com seu dentista antes de comprar qualquer enxaguante bucal.

Ação dos enxaguantes

O enxaguante bucal atua no controle da quantidade de bactérias presentes na cavidade bucal, mais precisamente no biofilme ou placa bacteriana, material que adere aos dentes e consiste em colônias bacterianas (principalmente Streptococcus mutans eStreptococcus sanguinis), polímeros salivares e dejetos extracelulares bacterianos.

“A placa é um biofilme sobre as superfícies dos dentes. Essa acumulação de microrganismos sujeita os dentes e gengivas a altas concentrações de metabolitos bacterianos que resultam em doenças, como cáries dentárias e gengivites graves”, explica Alexandre.

Ao escovar os dentes, o indivíduo desorganiza e elimina parte da colônia bacteriana. Se o enxaguante bucal é associado ao ato de escovar, essa desorganização e eliminação bacteriana tornam-se muito mais efetivas e benéficas, o que ressalta a importância de utilizar os produtos apenas após a escovação.

Tipos de enxaguantes

Existem enxaguantes bucais para diversas finalidades, desde soluções fluoretadas para prevenção de cáries dentárias e auxiliares na limpeza e desinfecção da cavidade bucal, passando por soluções auxiliares para clareamento dental, até medicamentos propriamente ditos.

“Os medicamentos são utilizados em pacientes oncológicos submetidos à quimio e à radioterapia em cabeça e pescoço para tratamento de efeitos adversos dessas terapias, como a temida mucosite ou mesmo para amenizar os efeitos da secura bucal que acontece em algumas doenças autoimunes, como a síndrome de Sjogren. A escolha é feita de acordo com a necessidade que o quadro clínico se apresenta no paciente”, destaca o especialista.

Ainda segundo Alexandre, a prescrição da frequência de uso vai de acordo com a finalidade e a gravidade da patologia. No caso mais comum, o de controle do biofilme, é recomendada a utilização de uma pequena porção, que equivale a cerca de ¼ da tampa do produto, após a escovação e a utilização do fio dental, a fim de finalizar o processo de controle bacteriano. É recomendado também não enxaguar o produto após o uso, deixando-o fazer efeito por mais tempo, e não comer por pelo menos duas horas após a higiene bucal.

Efeitos adversos

O uso inadequado dos enxaguantes bucais pode, sim, trazer efeitos colaterais indesejados, como manchas nos dentes, que nesses casos são de origem extrínseca, ou seja, causadas por agente externo. O maior acúmulo de tártaro ocorre principalmente com uso inadequado e não supervisionado de enxaguantes bucais que possuem clorexidina na composição.

“Essa substância é um excelente antisséptico químico, com ação antifúngica e bactericida, além de ação bacteriostática, inibindo a proliferação bacteriana. Porém, quando esses enxaguantes bucais são usados aleatoriamente e não após a minuciosa escovação e uso de fio dental, a clorexidina tem como efeito colateral o escurecimento das colônias bacterianas organizadas, geralmente em superfícies que não foram escovadas adequadamente, causando um manchamento amarronzado de difícil remoção nestas superfícies”, alerta Alexandre.

 

 

Dr. Alexandre Fraige é cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia da Universidade Paulista e doutorado em Patologia Bucal pela Universidade de São Paulo. Título de especialista em Odontologia para Pacientes com Necessidades Especiais pelo Conselho Federal de Odontologia. Atualmente é cirurgião-dentista do Centro de Atendimento a Pacientes Especiais da Universidade de São Paulo (CAPE FOUSP) e Diretor do Dep. de Odontologia da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (ANAD). Tem formação em Implantodontia, Odontologia Hospitalar e Telemedicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e mais de 10 anos de experiência no atendimento odontológico hospitalar e ambulatorial de pacientes portadores de necessidades especiais e alta complexidade, atuando principalmente nos seguintes temas: Portadores de Diabetes e suas complicações, pacientes oncológicos e transplantados de órgãos e tecidos. Filiado ao Conselho Regional de Odontologia de São Paulo – CROSP – sob o nº 73257. Membro efetivo da “INTERNATIONAL DIABETES FEDERATION” – IDF.

 

Matéria retirada do site http://idmed.terra.com.br



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